• Princesa Dona Maria Amélia

A Fundação

A Fundação Princesa Dona Maria Amélia é uma fundação de direito português, constituída em 23 de março de 1877 por decisão da Coroa Sueca após o Hospício da Princesa Dona Maria Amélia, instituição fundada em 1853 para tratamento de doentes pulmonares, ter sido legado pela Imperatriz D. Amélia de Leuchtenberg, viúva do Imperador D. Pedro I do Brasil (Rei D. Pedro IV de Portugal), à sua irmã D. Josefina, Rainha da Suécia e da Noruega. A Fundação foi criada com o propósito inicial de preservar e administrar este legado histórico, perpetuando a obra da Imperatriz D. Amélia e a memória da sua filha, a Princesa D. Maria Amélia, na Madeira e em Portugal.

O primeiro presidente do conselho de administração da Fundação foi Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, Visconde de Aljezur. Presentemente, as responsabilidades principais pela administração e pela gestão corrente da Fundação cabem ao Pe. José Augusto Gonçalves Alves (Presidente do Conselho de Administração), ao Eng. Jorge Jardim Gonçalves (Vogal do mesmo Conselho), ao Dr. Francisco Costa (Administrador Executivo) e à Dra. Nicole Sargo (Diretora Executiva). A Fundação tem também um Conselho Fiscal constituído pelo Arq. João Carlos Cunha Paredes (Presidente) e pelos Dr. Jan Lindman e Eng. Hans Koster (vogais).  

A Fundação Princesa Dona Maria Amélia, executando a sua missão histórica, tem procurado manter este legado constantemente atualizado em função do evoluir dos tempos e das necessidades da sociedade madeirense, num esforço permanente de adaptação, transformação e modernização com vista a responder mais eficazmente às necessidades de todos aqueles que diariamente usufruem dos seus serviços.

Em consequência deste esforço, a Fundação Princesa Dona Maria Amélia tem sido, desde a sua constituição, considerada um exemplo no país e a obra estabelecida pela Imperatriz D. Amélia continua dinâmica e atual passado mais de um século após o início das suas atividades.


A História da Fundação

O reconhecimento dado à Madeira pelo seu privilegiado clima, considerado local adequado ao tratamento de doenças pulmonares e sanatório natural, correu a Europa desde os finais do sec. XVIII, atraindo para a ilha inúmeras e ilustres personalidades estrangeiras. Este movimento de turismo terapêutico veio a acentuar-se na segunda metade do sec. XIX devido à exposição mediática dada à Ilha por jornais e escritores ingleses e às guerras liberais europeias, que interditavam os principais destinos tradicionais na orla do Mediterrâneo (Sul de França, Itália, Grécia, etc.), tornando assim a Madeira num dos destinos preferenciais para famílias da classe alta europeia (principalmente inglesas), aconselhado por diversos médicos e hospitais de renome.

Foi neste contexto, em que a fama dos efeitos curativos da Madeira se espalhava pelo mundo, que em 1852, D. Amélia vendo a sua filha D. Maria Amélia extremamente debilitada pela tuberculose, a conselho dos seus médicos escolheu a Madeira e o seu ameno clima para uma tentativa desesperada de recuperação da princesa. A família real, instalada na antiga Quinta das Angústias, não viria contudo a ter uma estadia prolongada, pois infelizmente, a 4 de Fevereiro de 1853, a Princesa D. Maria Amélia viria a falecer, apenas com 24 anos de idade.

Como forma de homenagear e perpetuar a memória da sua filha e de agradecer a hospitalidade oferecida pela Madeira e pelo seu povo, a Imperatriz decidiu fundar na Ilha o primeiro sanatório português, destinado ao tratamento de doenças pulmonares, o Hospício da Princesa Dona Maria Amélia. Para este efeito foi escolhido um terreno quase em frente à quinta onde falecera a princesa, na atual Avenida do Infante, numa área considerada adequada ao efeito, com boa exposição solar e proteção contra acidentes naturais.

A autorização para a edificação da obra foi solicitada por D. Amélia à sua enteada, Rainha D. Maria II de Portugal, a 13 de abril de 1853 e recebida a 4 de julho desse mesmo ano, permitindo a instalação provisória do sanatório, a 10 de julho, num edifício da Rua do Castanheiro, pertença do morgado António Caetano Moniz de Aragão. Três anos após essa data, a 4 de fevereiro de 1856, foi então lançada a primeira pedra das obras que viriam a originar o futuro Hospício.

A elaboração do projeto do Hospício foi adjudicada em 1855, por concurso público (a primeira obra portuguesa realizada por concurso internacional), ao arquiteto inglês Edward Buckton Lamb que, por nunca se ter deslocado ao Funchal, indicou o arquiteto João Figueiroa de Freitas e Albuquerque para coordenar localmente os trabalhos, o qual, segundo registos históricos, terá também introduzido as suas próprias alterações ao projeto.


O edifício, um dos primeiros sanatórios construídos na Europa, teve inspiração revivalista nas grandes casas de estilo georgiano do século XVIII e princípios do século XIX, seguindo uma filosofia de “tipo corredor”, em que uma planta retangular estruturada é atravessada por um longo e largo corredor, servindo para a circulação dos doentes nas situações em que as condições climatéricas não permitiam os passeios no exterior. O edifício possui igualmente uma cave para arrecadações e dois pisos acima do solo, com o piso térreo ligeiramente acima da superfície, por forma a limitar o contacto com a humidade do terreno. No segundo piso, o conjunto possui uma alta e elegante capela central, dedicada a Nossa Senhora das Dores, marcada exteriormente pelas armas pessoais da Imperatriz. O edifício apresentava uma qualidade evidente, desde a fachada até ao interior, não tendo sido descurado qualquer pormenor relativo ao cuidado e às acomodações dos seus utentes.

No exterior, em frente ao edifício, estende-se um jardim de inspiração romântica com um caráter sombrio e intimista, desenhado por A. A. Gonçalves em 1860, dominado por trajetos sinuosos e recantos para descanso, onde se entrelaçam as copas das árvores e os arbustos e herbáceas ocupam quase totalmente o terreno.

O Hospício foi inicialmente concebido para receber 24 doentes de ambos os sexos, alojados em pequenas enfermarias de seis lugares, ficando as mulheres instaladas na ala nascente e os homens na ala poente. O projeto apresentava também alguns aspetos inovadores para a época, desde o sistema de água quente e fria, até à utilização de um inovador e pioneiro (no país) método de elevador, para mais facilmente transportar comida, loiça e roupa. Outra inovação foi o sistema de campainha, através de fitas atadas aos membros dos presumíveis cadáveres, para dar sinal ao guarda de qualquer movimento, em caso de morte aparente.

A entrada dos primeiros doentes dá-se a 4 de Fevereiro de 1862, com a inauguração oficial a realizar-se em junho seguinte, infelizmente sem a presença da Imperatriz sua fundadora e promotora. A gestão do Hospício e o cuidado dos doentes foi entregue às irmãs francesas da Congregação de São Vicente de Paulo que, devido a polémicas ditadas pelo regresso das ordens religiosas a Portugal, após a sua extinção durante o liberalismo, tiveram de abandonar Portugal em 1862, levando ao encerramento temporário da instituição. Contudo, as irmãs Vicentinas regressariam mais tarde à Madeira, reabrindo o Hospício em novembro de 1871.

O Hospício, como asilo hospitalar, não estaria apenas destinado ao tratamento de doentes tuberculosos, tendo sido também designado como centro de investigação da tísica pulmonar, com particular interesse na investigação sobre a tuberculose e sobre como o clima da ilha da Madeira poderia influenciar o seu tratamento. O Dr. João Francisco de Almada, diretor clínico do Hospício entre 1907 e 1942, foi um dos mais ativos investigadores e intervenientes no combate à tuberculose. Com outros médicos, como o Dr. António Barral e o Dr. Mourão Pita, foi também um grande divulgador dos benefícios do clima da Madeira, através da publicação de estudos científicos que salientavam as favoráveis propriedades climatéricas do arquipélago.

Em 1873, com o falecimento de D. Amélia, o Hospício foi legado à sua irmã D. Josefina, Rainha da Suécia e da Noruega, ficando, desde então, à responsabilidade da Coroa Sueca que, a 23 de março de 1877, no reinado de S.M. o Rei Oscar II da Suécia e Noruega, constituiu a Fundação Princesa Dona Maria Amélia, inteiramente dedicada à administração do legado deixado pela Imperatriz D. Amélia na Madeira em memória da sua filha. Passados mais de 150 anos da fundação do Hospício, S.M. a Rainha Silvia da Suécia viaja à Madeira para homenagear os seus antepassados e a sua obra, visitando pela primeira vez o Hospício a 3 de outubro de 1986.

Desde então a Fundação Princesa Dona Maria Amélia tem procurado transformar e adaptar a instituição ao evoluir dos tempos, num esforço constante para responder da forma mais eficaz às necessidades do povo madeirense.

Assim, em 1878, respondendo a uma carência efetiva da sociedade, a instituição passa a integrar um Orfanato; em 1937 é criado o Externato para crianças do ensino básico; em 1964 inaugura-se a Creche, cujas atividades são inicialmente desenvolvidas no edifício principal; em 1982, com a melhoria clara das condições de saúde e da rede hospitalar do país, o Hospício é remodelado e transformado em Lar de Idosos; em 1984 o Lar é expandido por forma a incluir também um Centro de Dia para a terceira idade; em 2001 é inaugurado o novo edifício da Creche e do Infantário, que passa a denominar-se Infantário Rainha Silvia; em 2002 entra em funcionamento o novo edifício do Externato e, mais recentemente, em 2017 o novo edifício do Lar de Idosos é inaugurado por Sua Majestade a Rainha Silvia, integrando todas as funcionalidades modernas necessárias à prestação dos cuidados mais adequados aos seus utentes.

O funcionamento do Hospício da Princesa Dona Maria Amélia foi sempre encarado como um exemplo no país e a obra estabelecida pela imperatriz D. Amélia continua dinâmica e atual passado mais de um século desde a sua fundação.

Na secção seguinte poderá encontrar a cronologia da vida desta instituição, desde a sua fundação até à atualidade.

Mapa Cronológico
31 de agosto de 1852 A Imperatriz D. Amélia de Leuchtenberg e a sua filha D. Maria Amélia desembarcam na Madeira para tratamento da princesa
4 de fevereiro de 1853 Falecimento da Princesa D. Maria Amélia
13 de abril de 1853 D. Amélia de Leuchtenberg solicita à sua enteada, Rainha D. Maria II de Portugal, autorização para construir o Hospício
10 de julho de 1853 O sanatório é instalado provisoriamente num edifício da Rua do Castanheiro, pertença do morgado António Caetano Moniz de Aragão
4 de julho de 1855 É adquirido, pelo Dr. António da Luz Pita, o terreno onde se irá construir o Hospício
Julho de 1855 Decorre em Londres o concurso público internacional para a adjudicação da obra, cujo vencedor foi o arquiteto inglês Edward Buckton Lamb
4 de Fevereiro de 1856 É lançada a primeira pedra das obras que viriam a originar o futuro Hospício
1860 Receção do projeto do jardim, assinado por A. A. Gonçalves
4 de fevereiro de 1862 Abertura da instituição e entrada dos primeiros doentes
Junho de 1862 Inauguração oficial do Hospício. Gestão e cuidado dos doentes entregue às irmãs francesas da Congregação de São Vicente de Paulo
1862 As Irmãs Vicentinas abandonam Portugal e dá-se o encerramento temporário do Hospício
Novembro de 1871 Regresso da Congregação de São Vicente de Paulo à gestão do Hospício e reabertura da instituição
26 de janeiro de 1873 Falecimento da Imperatriz D. Amélia, e entrega da administração do Hospício à sua irmã D. Josefina, Rainha da Suécia e da Noruega
23 de março de 1877 Constituição da Fundação Princesa Dona Maria Amélia, inteiramente dedicada à administração do Hospício
1878 Entrada em funcionamento do Orfanato
5 de abril de 1937 Entrada em funcionamento do Externato, escola para o primeiro ciclo do ensino básico
19 de julho de 1964 Entrada em funcionamento da Creche, cujas atividades se desenvolvem no edifício principal
1982 Remodelação e transição do Hospício de hospital para Lar de Idosos
1984 Criação do Centro de Dia para a terceira idade
15 de outubro de 2001 Entrada em funcionamento do novo edifício do Infantário Rainha Silvia
17 de abril de 2002 Inauguração do novo edifício do Infantário por Sua Majestade a Rainha Silvia da Suécia
1 de setembro de 2002 Entrada em funcionamento do novo edifício do Externato
16 de novembro de 2007 O novo edifício do Externato é visitado por Sua Alteza Real a Princesa Victoria
Janeiro de 2017 Entrada em funcionamento do novo edifício do Lar de Idosos
2 de maio de 2017 Inauguração do novo edifício do Lar de Idosos por Sua Majestade a Rainha Silvia da Suécia.

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